Gilmar Mendes permite que Renan Filho use investigação sobre Banco Master em propaganda contra JHC
30/09/2026
(Foto: Reprodução) Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal
Luiz Silveira/STF
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que o candidato ao governo de Alagoas Renan Filho (MDB) utilize, em materiais de propaganda eleitoral, informações sobre as aplicações de recursos do Instituto de Previdência de Maceió (Iprev) no Banco Master. A decisão foi proferida na terça-feira (29) e cabe recurso.
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🔎O caso Master envolve investimentos de fundos de previdência de estados e municípios em títulos emitidos pelo banco, que são alvo de questionamentos sobre a segurança, a governança e os critérios utilizados nas aplicações.
Em agosto de 2026, a Polícia Federal (PF) cumpriu oito mandados de busca e apreensão em Alagoas e São Paulo para investigar possíveis irregularidades na aplicação de recursos do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) de Maceió.
A propaganda de Renan Filho associava a imagem de João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), às possíveis irregularidades. JHC também é candidato ao governo de Alagoas e era prefeito de Maceió na época em que as aplicações financeiras foram realizadas.
Agora no g1
O g1 entrou em contato com a assessoria de JHC, que ficou de apurar a situação.
Decisão derruba parcialmente liminar do TRE-AL
A decisão de Gilmar Mendes derruba parcialmente uma determinação anterior do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) que havia considerado que a composição gráfica utilizada na propaganda produzia um “significado adicional não sustentado pelas fontes”.
Na ocasião, o TRE-AL proibiu a veiculação do vídeo com esses elementos na propaganda eleitoral e concedeu a JHC direito de resposta de mais de 10 minutos no horário eleitoral gratuito.
O g1 também procurou a assessoria de comunicação do TRE-AL. O órgão informou que, neste momento, não irá se manifestar sobre a decisão.
Investigações
PF pede afastamento e sequestro de bens de seis investigados em suposto desvio
De acordo com a Polícia Federal, são investigadas duas aplicações realizadas em 2023 e 2024 em Letras Financeiras, títulos privados de renda fixa. Juntas, as aplicações totalizam R$ 97 milhões.
O g1 apurou que as aplicações têm ligação com o Banco Master.
Ao todo, segundo a PF, seis pessoas são investigadas por suspeita de envolvimento nas irregularidades.
Entre elas, estão o ex-diretor-presidente do instituto, o então coordenador-geral de investimentos, integrantes da estrutura de governança do Iprev, o CEO de uma consultoria que prestava assessoria ao órgão e o atual secretário municipal de Fazenda de Maceió.
Veja quem são os investigados e o que a PF apura:
Investigados de operação da PF em Alagoas
Reprodução/TV Asa Branca Alagoas
Ronnie Reyner Teixeira Mota: ex-diretor-presidente do Iprev era a principal autoridade do instituto no período das aplicações. Segundo o inquérito, ele assinou as autorizações que formalizaram os aportes investigados.
Gustavo Antônio Rodrigues de Souza: cunhado de Ronnie Reyner era coordenador-geral de Investimentos do Iprev. De acordo com a investigação, atuava na análise técnica das propostas e no encaminhamento dos processos para decisão.
Renan Calamia: dirigente e principal interlocutor técnico da Crédito & Mercado, empresa que prestava assessoria ao Iprev. Segundo a PF, ele era o principal interlocutor da consultoria com o instituto. A investigação apura se a empresa atuou de forma independente na avaliação das aplicações ou se houve direcionamento para beneficiar o Banco Master.
Marília Alexandre de Lima Alves: integrava a estrutura de governança e deliberação dos investimentos do Iprev. Segundo a PF, ela teria participado de decisões e recomendações relacionadas às operações investigadas.
Marcelo Brasileiro Santos: participante do Comitê de Investimentos e signatário de documento que recomendou a realização de investimentos relacionados ao Banco Master.
João Felipe Alves Borges: atual secretário municipal de Fazenda de Maceió integrava o Conselho de Administração do Iprev, responsável pelas diretrizes e pela política de investimentos do instituto.
Iprev Maceió
Polícia Federal realiza operação e cumpre mandados na previdência de Maceió
Nick Marone/TV Asa Branca Alagoas
Em agosto de 2026, o Maceió Previdência informou, por meio de nota, que, desde o início das investigações, tem colaborado com as autoridades e prestado todos os esclarecimentos necessários, além de fornecer as informações solicitadas.
O instituto reforçou ainda que, durante os atos relacionados aos investimentos junto ao Banco Master, foram observados “os ritos legais e administrativos aplicáveis”.
Por fim, o órgão informou que o patrimônio da previdência cresceu de aproximadamente R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, garantindo, segundo o instituto, a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas.
Renan Filho (esq) e JHC concorrem ao governo de Alagoas nas Eleições 2026
Montagem/g1